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Manifesto da Adunesp em defesa da democracia: Contra os golpes ontem e hoje. Nenhum direito a menos!

Nestes tempos de grande instabilidade política, marcado por intensas manifestações e conflitos por todo o país, é evidente o fato de que adentramos um período sombrio da história recente da democracia brasileira.

Por meio de um golpe parlamentar, instalam-se no Poder Executivo representantes dos setores da classe dominante que anseiam ampliar sua parcela de poder e de lucros junto ao Estado. Esses setores sinalizam, claramente, sua disposição de atacar e retirar um conjunto de direitos sociais e trabalhistas conquistados ao longo de décadas de luta, muitos deles inscritos na Constituição de 1988. O objetivo é claro: que os trabalhadores e a maioria da população paguem o ônus da crise e financiem a dívida pública, garantindo, assim, que o processo de financeirização da economia e também a concentração da renda nacional sejam acelerados e aprofundados.

Em meio à atual conjuntura de crise mundial do capitalismo, tais mudanças, juntamente com a prometida reforma da CLT, colocam a classe trabalhadora brasileira em condições de absoluta vulnerabilidade diante da voracidade do grande capital nacional e internacional, ao mesmo tempo em que promovem o desmonte do serviço público estável, instituindo situações semelhantes às condições precarizadas de trabalho, recorrentemente flagradas nas grandes corporações do setor privado.

Nessa perspectiva, por meio de uma inaceitável inversão de valores, a saúde, a educação e a previdência social passam a ser interpretadas pelos ideólogos do regime golpista como entraves para o desenvolvimento econômico. Da mesma forma, as políticas sociais já implementadas, ainda que insuficientes, passam a ser vistas como inconciliáveis com os imperativos do desenvolvimento econômico, devendo ser, no mínimo, severamente limitadas, senão abolidas.

Em consonância com esta lógica de terra arrasada, as universidades públicas, como as conhecemos hoje, também estarão condenadas a desaparecer se nenhuma medida for tomada, uma vez que serão desfiguradas por alguns dos dispositivos privatizantes da lei de inovação tecnológica e pelo assédio desenfreado de um imediatismo tecnológico que dispensa pensamento crítico e não tem compromisso com a produção de conhecimento socialmente relevante.

Assim, em razão das circunstâncias aqui apresentadas, a diretoria da Associação dos Docentes da Unesp vem a público manifestar veemente repúdio ao governo de Michel Temer, somando-se às milhares de vozes que clamam pelas ruas por democracia e justiça. Conclamamos a categoria dos docentes do ensino superior público paulista a posicionar-se contra o golpe de Estado em curso, somando esforços com todos os setores progressistas que nesse momento se mobilizam pela redemocratização da sociedade e em defesa dos direitos sociais e trabalhistas da população.

Fora, Temer! Nenhum direito a menos!


Diretoria Central da Adunesp
São Paulo, 20 de setembro de 2016.

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