A Entidade - Adunesp

Adunesp divulga moções contra cortes na Fapesp, crise na UERJ e suspensão de nomeação na Unifesp

Neste início de ano, três fatos relacionados à pesquisa e ao ensino superior trouxeram preocupação a todos que defendem a educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) vê-se ameaçada de fechar as portas ou, como banalmente defendem alguns, ser vendida para a iniciativa privada, como produto da grave crise econômica e política que assola o estado do Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin decidiu violar os preceitos da Constituição Estadual e determinou uma redução nos recursos destinados à Fapesp, órgão vital para o fomento à produção científica e tecnológica no estado e no país.

Na Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, a comunidade foi surpreendida com a suspensão, por ordem do MEC, da nomeação da professora Soraya Smaili ao cargo de reitora, após incontestável vitória em consulta pública paritária às três categorias, referendada pelo Conselho Universitário.

A Adunesp produziu moções sobre a situação da Fapesp e da Unifesp, e subscreveu moção do Fórum das Seis sobre a UERJ. Acompanhe a íntegra dos três documentos a seguir.

..................................


Não ao corte de recursos para a Fapesp.
Defesa da ciência e da tecnologia no Estado de São Paulo


A Fapesp é uma instituição de fomento imprescindível para a produção científica e tecnológica no Estado de São Paulo, que hoje contribui com aproximadamente 50% da produção nacional. Seus critérios para o financiamento de projetos estão baseados em princípios de relevância acadêmica e liberdade de pesquisa, o que dá sustentabilidade para que as universidades e os institutos de pesquisa paulistas se coloquem em pé igualdade com o que de melhor se produz em ciência, tecnologia e inovação no mundo.

Trata-se, portanto, de uma entidade estratégica para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do país. Por isso mesmo, e antevendo o papel essencial que desempenharia na construção da soberania nacional quanto à produção de conhecimento e pensamento crítico, a Constituição do Estado de São Paulo designou dotação orçamentária vinculada à sua arrecadação para manter a Fapesp, protegendo-a, desta forma, da influência de possíveis ingerências políticas ilegítimas, que poderiam desviá-la da sua função como promotora autônoma do desenvolvimento da pesquisa de qualidade pela comunidade científica paulista.

É inaceitável que essa instituição, fundamental para a produção de conhecimento, tenha o seu orçamento diminuído, ou contingenciado, o que, a nosso ver, viola prerrogativas inscritas na Constituição do Estado de São Paulo e coloca em risco a missão da Fapesp.

Diante disso, protestamos veementemente contra o corte de recursos ou a imposição de diretrizes que limitem os critérios de alocação de recursos da Fapesp, ações essas que constituem parte de uma política deliberada do governo estadual voltada para o desmantelamento do sistema superior público de educação paulista, fragilizando, ou mesmo suprimindo, as condições necessárias para a produção de ciência, tecnologia e reflexão crítica de qualidade em nosso Estado.

Cumpra-se a Constituição do Estado de São Paulo.


São Paulo, 02 de fevereiro de 2017.
Diretoria Central da Adunesp

..................................


Moção de repúdio à suspensão da nomeação da Reitora da Unifesp


A Associação dos Docentes da Unesp – Adunesp S. Sindical do Andes Sindicato Nacional – considera que o respeito à escolha dos dirigentes de uma universidade, feita pela comunidade universitária, por meio de um processo livre e democrático, é pressuposto fundamental para a autonomia universitária.

Isto posto, manifesta veemente repúdio à iniciativa do MEC de suspender a nomeação da Professora Soraya Smaili para o cargo de Reitora da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp, mesmo tendo ela sido vencedora na consulta pública paritária às três categorias que constituem a universidade, resultado que foi confirmado pelo Conselho Universitário.

Esta atitude do MEC assemelha-se ao tratamento dado às universidades pela ditadura empresarial-militar implantada em 1964, de triste memória para os brasileiros que prezam a democracia e de saudosa memória para todas as vocações que hoje flertam com o estado fascista.


Diretoria Central da Adunesp
São Paulo, 30 de janeiro de 2017.



..................................

Em defesa da UERJ


OFórum das Seis
, que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e do Centro Paula Souza (Ceeteps), constata que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) está nesse momento sob intenso ataque por parte do governo estadual, sob o patrocínio explícito do governo federal.

Trata-se de uma situação limite que, se perdurar, corre-se o risco de nada restar do imenso patrimônio cultural, educacional, científico e artístico construído por todos os trabalhadores docentes e técnico-administrativos, além de milhares de estudantes que passaram por essa instituição, e que fizeram e fazem dela o que é hoje: uma universidade com ensino de excelência, produção relevante e socialmente referenciada de conhecimento e pensamento crítico, que presta indispensáveis serviços à população do estado do Rio de Janeiro e brasileira.

Ao que tudo indica, a tentativa de destruição da UERJ insere-se num plano mais audacioso a ser estendido a todas as universidades estaduais do país.

Compreendendo, portanto, que a defesa da UERJ se confunde com a defesa de todas as universidades públicas estaduais, protestamos veementemente contra as ações e omissões do governo do estado do Rio de Janeiro que, em parceria com o governo federal, explicitam um enorme descaso para com o ensino superior público de qualidade e colocam em risco de morte uma instituição tão cara e necessária ao povo fluminense e brasileiro.


São Paulo, 31 de janeiro de 2016
Fórum das Seis

  Adunesp     Adunesp  
Site Desenvolvido por InfoPlus