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Nota de pesar da Adunesp: O Museu Nacional e as chamas da barbárie

A Associação dos Docentes da Unesp, Adunesp Seção Sindical do Andes-SN, manifesta profunda tristeza e indignação frente à irreparável perda dos acervos do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, consumidos por um terrível incêndio na noite de 2/9/2018.
Aos recém-completados 200 anos, a mais antiga instituição de pesquisa do país e um dos mais importantes museus do mundo, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve seu acervo de história natural, antropologia, etnografia e paleontologia transformado em cinzas em poucas horas. Dos mais de 20 milhões de itens históricos e científicos, entre eles obras milenares, vindas de todos os continentes, pouco foi salvo. Em exposição, estavam coleções egípcias, greco-romanas, fósseis de dinossauros, o mais antigo fóssil humano encontrado no país (“Luzia”), artigos da cultura indígena, afro-brasileira e do Pacífico.
Em meio ao fogo, destacaram-se as ações heroicas de pesquisadores, trabalhadores e estudantes do Museu, no desesperode salvar o que fosse possível.
As chamas que consumiram o Museu Nacional são produto direto de uma política cruel e deliberada de destruição da ciência e da tecnologia do país. A educação, a saúde, a cultura.... os serviços públicos em seu conjunto encontram-se asfixiados por uma política de cortes orçamentários que já vinha em curso há anos, mas que se agravou, e muito, após a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95, em dezembro/2016, uma das primeiras medidas impostas pelo ilegítimo governo instalado em Brasília há mais de dois anos. Congelados por 20 anos desde então, os recursos destinados a estes setores foram à míngua. As chamas do Museu Nacional são o símbolo mais forte e dramático de uma política que ameaça jogar o país no estágio social e científico de 50 anos atrás.
De acordo com levantamento divulgado pelo Andes-SN, o Museu Nacional deveria receber um repasse anual de R$ 550 mil da UFRJ, que passa por uma crise financeira, com cortes sucessivos em seu orçamento. Há três anos, o museu só tem recebido 60% deste valor. Carentes de manutenção, ambas as instituições vêm sofrendo com a diminuição de servidores – as aposentadorias, mortes e desligamentos não são repostos –, a ameaça de corte de serviços de energia, água, limpeza e outros.
Após a tragédia anunciada no Museu Nacional, é preciso que renasçam a reação e a luta de todos os que prezam pelos serviços públicos, pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia nacionais, pela soberania e pelo desenvolvimento do país, pelo presente e pelo futuro do povo brasileiro.



São Paulo, 6 de setembro de 2018.
Diretoria Central da Adunesp – Seção Sindical do Andes-SN

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