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FCL aprova moção em apoio aos estudantes

A Adunesp divulga abaixo a moção feita pela Congregação da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, aprovada na reunião de 26/11/2015, em apoio ao movimento dos estudantes da rede pública de ensino do Estado de São Paulo:

“Não existem inimigos e sim novos encantamentos

Nas últimas três semanas temos assistido a um movimento de jovens manifestando a sua insatisfação. Tudo começou pequeno, mas, rapidamente cresceu, ganhou organização e numerosos apoios de entidades e educadores que são referência na área.

A despeito da validade ou não dos argumentos apresentados pelo governo estadual para justificar a reorganização das escolas o fato é que a sociedade civil se manifestou contra a iniciativa. Agora não é mais relevante se as manifestações são consequência da falta de compreensão do que o governo estadual pretende ou da inadequação das medidas pretendidas.

O que temos de valioso nesse evento é o surgimento de um encantamento dos jovens pela escola. Aquele espaço que há pouco tempo atrás não despertava interesse, hoje é abraçado e protegido por esses jovens. Isso não é pouco. Nós educadores e os responsáveis pela educação pública do estado devemos ter serenidade para valorizar esse momento em que os jovens assumem o protagonismo. Devemos ajudá-los e apoiá-los nessa jornada onde eles farão importantes descobertas e terão oportunidades fascinantes de aprendizagem.

Além disso, a reação contrária daqueles que serão diretamente afetados pelas medidas é uma evidencia de que existe necessidade de mais diálogo ainda. Entretanto, é grande a dificuldade do governo em lidar com isso. O governador do Estado preocupa-se tão somente em desqualificar as manifestações de estudantes e professores porque, no seu entender, elas têm um caráter político. Ora, é claro que elas têm e assim devem ser. As manifestações políticas são da natureza da Democracia e elas indicam a necessidade do estabelecimento de novos espaços de dialogo. Com relação aos sindicatos de educadores o Governador os acusa de corporativos, com relação ao movimento de ocupação das escolas pelos estudantes ele critica o apoio indevido de sindicatos de outras áreas. Ora, os sindicatos defendem os interesses corporativos daqueles que ele representa. As entidades de classe e demais associações devem sim apoiar os movimentos sociais com os quais se identificam. Mais uma vez é bom destacar que isso é da natureza dos regimes democráticos. Desqualificar os professores e as entidades da sociedade civil que estão apoiando o movimento dos estudantes é não compreender a dinâmica estabelecida. Isso não contribui para avançarmos na direção de uma escola pública que ofereça um ensino de qualidade para todos.

Diante disso, a Congregação da Faculdade de Ciências e Letras – FCL, em reunião ordinária realizada no dia 26 de novembro de 2015, manifesta seu apoio ao movimento legítimo dos estudantes e de seus familiares e sugere que o Governo Estadual de São Paulo estabeleça, com urgência, uma agenda de diálogo respeitoso para negociar com os envolvidos as medidas mais adequadas tendo em vista o aprimoramento do trabalho realizado nas nossas escolas publicas estaduais. Não podemos perder de vista que o que está em jogo é a melhoria do ensino público paulista.”

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