Farra das emendas em SP financia reeleição de candidaturas da base de apoio do governo estadual

Farra das emendas em SP financia reeleição de candidaturas da base de apoio do governo estadual

Valor é quase o dobro do montante destinado por Tarcísio para Educação e Segurança 


Recursos públicos que deveriam ser revertidos em benefício da população estão sendo usados por parlamentares na Assembleia Legislativa, especialmente os que compõem a base de apoio do governo Tarcísio de Freitas, para a destinação de emendas.

Desde que Tarcísio assumiu o governo, os deputados, a maioria de sua base, destinaram R$ 6,1 bilhões para entidades que acabam funcionando como base política para garantir suas reeleições.

O valor repassado é quase o dobro dos recursos investidos em Educação e Segurança Pública desde que Tarcísio assumiu o cargo de governador do Estado de São Paulo.

Até junho passado, as duas áreas receberam juntas R$ 3,5 bilhões, descontadas as folhas de pagamento de ambas. A Saúde recebeu R$ 4,2 bilhões.

Os dados foram divulgados pelo jornal Folha de SP, edição de 9/7/2026, que você confere aqui.

Segunda a reportagem, o esquema funciona da seguinte maneira: O parlamentar destina a emenda, que é paga pelo governo. Na ponta de quem recebe o valor, há o compromisso de que na próxima eleição esses parlamentares sejam agraciados com votos na urna.

É a forma atual da velha compra de votos. A jogada é assumida publicamente por alguns dos beneficiários dessas emendas.

Em entrevista à Folha, Edilson José de Moraes, presidente da Confederação Brasileira de Artes Marciais, assume que transforma a entidade que preside em base de apoio eleitoral para os deputados que a financiam.

Na gestão de Tarcísio, a entidade de Edilson recebeu R$ 52,7 milhões, destinados por 12 deputados, do Republicanos, PL e MDB.

Ele destaca que nem precisa colocar faixas no local pedindo votos para esses parlamentares na época da eleição, porque já informa aos pais e atletas quem são os patrocinadores de sua entidade.

"Esse apoio, quando chegar na época (da eleição) que ele (parlamentar) precisa de voto, eu não preciso fazer campanha. Os pais mesmos (de quem frequenta o espaço esportivo) ajudam ele (deputado/a)", assume ele, deixando claro que dinheiro público é transformado na prática em financiamento privado de campanha dos parlamentares que destinam emendas para sua entidade.

Há também quem use a própria entidade que dirige para se candidatar a cargos eletivos, financiada por emendas de parlamentares do mesmo partido.

É o caso de Alessandra da Silva Santos, dirigente da Associação Desportiva Facex, ex-candidata do PRB, atual Republicanos, mesmo partido de Tarcísio. Mesmo com as contas eleitorais rejeitadas pelo TSE em 2018, e com as contas da entidade rejeitadas pelo TCU, a Facex recebeu R$ 5,3 milhões em emendas parlamentares entre os anos de 2023 e 2025. E este ano pode receber mais R$ 4,9 milhões, por destinação de emendas do deputado Sebastião Santos, do Republicanos, mesmo partido de Tarcísio de Freitas.

Veja como é no mundo

Segundo artigo publicado no site do Tribunal de Constas do Estado de SP (clique aqui), em 53% dos países da OCDE, os parlamentares não podem emendar o Orçamento.

E em países que o permitem, como Estados Unidos, Espanha e Itália, não pode ultrapassar 1% das despesas discricionárias.