Movimento contra as alterações nas normas das Bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE/Fapesp) ganha espaço na imprensa e força governador a se pronunciar. Abaixo-assinado organiza apoios
A nota divulgada pela Adunesp em 27/8, em que manifesta preocupação com as alterações nas normas das Bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), da Fapesp, alcançou grande repercussão, sendo citada em matérias do Estadão, Metrópoles e Portal G1.
Questionado pelo G1, o governador Tarcísio de Freitas deu respostas genéricas, afirmando que “não haverá cortes”, que “os repasses financeiros estão garantidos” e que “as bolsas serão mantidas integralmente”.
Mas as afirmações do governador não batem com a realidade. Há cortes. E não são poucos.
Entre as mudanças anunciadas, com início previsto para 1/9, destacam-se a descontinuidade das modalidades destinadas a bolsistas de Iniciação Científica e de Mestrado e a redução para seis meses do período máximo das bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado. Para estudantes em início de formação, as modalidades BEPE de IC e Mestrado constituíam uma das poucas oportunidades de financiamento para experiências internacionais de pesquisa, com duração de até quatro e seis meses, respectivamente.
Várias entidades representativas de docentes e de estudantes de graduação e pós-graduação de todo o país divulgaram notas de protesto.
A Adunesp compartilha a seguir alguns relatos de ex-bolsistas BEPE/Fapesp de iniciação científica e mestrado sobre a importância do programa em suas trajetórias acadêmicas e profissionais:
João Francisco Silva Trentin é graduado e doutor em Engenharia Mecânica pela Unesp, na Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira. Foi pesquisador de pós-doutorado no ITA, entre 2021 e 2022, e, desde 2022, atua como engenheiro de desenvolvimento de produto na Embraer. Durante o mestrado, foi bolsista Fapesp e realizou estágio de pesquisa no exterior pelo BEPE, na Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos. Segundo João, a experiência permitiu aprofundar sua pesquisa, ampliar sua visão sobre ciência e engenharia e aproximá-lo de um ambiente de pesquisa com forte interação com a indústria. O estágio também teve papel importante em sua trajetória acadêmica, contribuindo para a conversão do mestrado em doutorado direto e para oportunidades posteriores no pós-doutorado e na indústria.
Isabella Silva Cattanio é engenheira agrônoma formada pela Unesp de Ilha Solteira e atualmente mestranda em Sistemas de Produção pela instituição. Durante a graduação, desenvolveu iniciação científica com bolsa Fapesp e realizou estágio BEPE/Fapesp na California State University, Monterey Bay, nos Estados Unidos, em 2023. Isabella relata que a experiência contribuiu para seu desenvolvimento como pesquisadora, fortaleceu seu interesse pela carreira acadêmica e proporcionou contato com diferentes ambientes, metodologias e perspectivas científicas. Para ela, a bolsa BEPE também representa uma oportunidade de democratização do acesso à internacionalização. Sem esse apoio financeiro, afirma que dificilmente teria condições de realizar uma experiência no exterior. Além da formação científica, a vivência permitiu conhecer outra cultura, ampliar horizontes e transformar perspectivas pessoais e profissionais. Isabella destaca que programas como o BEPE podem proporcionar a estudantes de diferentes condições socioeconômicas oportunidades que, de outra forma, seriam inacessíveis.
Jessé Augusto dos Santos Paixão é graduado e mestre em Engenharia Mecânica pela Unesp de Ilha Solteira e doutor pela Université de Franche-Comté, na França. Durante o mestrado, realizou estágio BEPE/Fapesp na Chonnam National University, na Coreia do Sul. Atualmente, é professor da PUC-Rio. Para Jessé, o programa BEPE proporcionou contato com um grupo de referência internacional, novas formas de desenvolver pesquisa e oportunidades de colaboração. A experiência também contribuiu para sua decisão de seguir a carreira acadêmica e realizar o doutorado no exterior, reforçando a importância da cooperação internacional na formação de pesquisadores.
Afonso Willian Nunes é graduado e doutor em Engenharia Mecânica pela Unesp de Ilha Solteira. Durante a graduação, realizou estágio de iniciação científica BEPE/Fapesp no INSA Centre Val de Loire, na França, em 2019. Atualmente, é pesquisador de pós-doutorado na Unicamp com bolsa Fapesp e realiza estágio BEPE na Espanha. Segundo Afonso, a experiência BEPE durante a graduação foi decisiva para sua escolha pela carreira acadêmica. Agora, no pós-doutorado, destaca novamente a importância da experiência internacional para o desenvolvimento de sua pesquisa. Em seu projeto atual, a permanência de um ano na Espanha é fundamental para o acesso a laboratórios, pesquisadores e conhecimentos necessários ao trabalho, algo que, segundo ele, não seria plenamente contemplado em um período reduzido a seis meses. Para Afonso, o BEPE contribui não apenas para a internacionalização da formação, mas também para trazer conhecimento ao Brasil, fortalecer a pesquisa nacional e combater a fuga de cérebros.
Vitória Godoy é estudante de Engenharia Mecânica da Unesp de Ilha Solteira e atualmente realiza estágio no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Já fez dois estágios de iniciação científica pelo BEPE/Fapesp: no Institut FEMTO-ST, na França, em 2024, e na Brunel University, na Inglaterra, em 2025. Vitória destaca que as experiências internacionais ampliaram sua formação acadêmica, profissional e pessoal, além de proporcionarem contato com diferentes ambientes de pesquisa e culturas. Segundo ela, essas vivências contribuíram diretamente para sua preparação para o mercado de trabalho e demonstram a importância de ampliar o acesso dos estudantes a oportunidades de internacionalização.
Apoio da Fapesp é essencial na formação de jovens pesquisadores. Da esq. p/ a dir.: João Francisco, Isabella, Jessé, Afonso e VitóriaApoie essa luta!
Os relatos evidenciam como o programa BEPE, desde a iniciação científica e o mestrado, contribui efetivamente para a formação científica, a democratização, a internacionalização da pesquisa e a inserção acadêmica e profissional de estudantes e pesquisadores vinculados às universidades paulistas.
Assine o abaixo-assinado em defesa da Fapesp e da ciência de SP, pela reversão dos cortes nas bolsas e pela garantia do financiamento público à pesquisa. https://tinyurl.com/CorteFapesp



