Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, faleceu no dia 15 de setembro, aos 82 anos, vítima de um câncer. A Adunesp homenageia essa grande jornalista e escritora, feminista e militante incansável em defesa dos direitos humanos.
Integrante da Comissão de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas, Amelinha deu voz à luta das famílias e a todas e todos os que denunciaram os crimes ocorridos durante a ditadura empresarial-militar (1964 a 1985), exigindo o esclarecimento dos fatos e a punição dos responsáveis.
Também ela foi vítima da repressão militar, presa em 28 de dezembro de 1972, submetida a tortura por vários dias, inclusive na presença de dois filhos pequenos, nas dependências do antigo DOI-CODI, em São Paulo. Na época, ela e o marido César Augusto Teles, falecido em 2015, produziam clandestinamente o jornal Classe Operária. Ambos eram militantes do Partido Comunista do Brasil (PcdoB). A irmã de Amelinha, Criméia Alice Schmidt de Almeida, outra militante contra a ditadura, também foi presa e torturada.
“Tortura é uma ferida que não cicatriza. Esta ferida, de vez em quando sangra. É um trauma pra vida toda: sou sobrevivente, sou vítima, sou lutadora, sou militante, sou feminista, porque sou deste mundo e participo do que está acontecendo”, disse Amelinha em entrevista ao Portal Universa, em 2022.
A família Teles ingressou com ação na justiça contra o militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, pedindo que fosse declarado responsável pelas torturas daqueles anos. A justiça reconheceu Ustra como torturador em 2008 e, após recurso por parte dele, manteve a decisão em 2014. Ustra morreu em outubro de 2015.
Amelinha foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo, coordenadora do Projeto Promotoras Legais Populares e assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, criada pela Assembleia Legislativa (Alesp) por iniciativa do então deputado pelo PT Adriano Diogo.
A atuação de Amelinha levou à criação do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que lhe conferiu o título de ‘Doutora Honoris Causa’ em 2023.
A escritora e jornalista Amelinha é autora de vários livros, entre eles: ‘Feminismos: Ações e Histórias de Mulheres’ e ‘Contos da cela três: Memórias de uma presa política na Ditadura’.
Amelinha! Sempre presente!



