O indicativo de greve geral, apresentado pelo Fórum das Seis após a negociação de 14/5, quando o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) manteve o índice proposto anteriormente, ou seja, reajuste salarial de 3,47%, de acordo com o IPC/Fipe, já é realidade na Unesp, Unicamp e USP.
No fechamento deste boletim, em 21/5, além dos estudantes das três instituições, já estavam paralisados os docentes da Unicamp e de seis campi da Unesp (Bauru, Marília, Araraquara, Rio Preto, Rio Claro e Franca), os técnico-administrativos da Unicamp e de quatro campi da Unesp (Bauru, Rio Preto, Marília e Franca), com assembleias agendadas em várias outras cidades. Na USP, docentes e servidores técnico-administrativos paralisaram em 20/5 e têm assembleias agendadas. Na Unesp, além do envio das caravanas, houve vários atos e paralisações parciais em 20/5.
Queremos a reabertura das negociações para:
- Negociar a contraproposta salarial apresentada pelo Fórum das Seis: 4,39% (inflação medida pelo IPCA/IBGE de 12 meses) + 3% (como primeiro passo para uma política de reposição de parte das perdas para voltarmos ao poder aquisitivo de maio/2012), totalizando 7,52%.
- Negociar a permanência estudantil: Inicialmente, os 4 pontos centrais apresentados pelo Fórum (reajuste e ampliação das bolsas, tendo como horizonte o valor do salário-mínimo paulista; discussão sobre os conceitos de bolsa e auxílio; fim da exigência de contrapartida de trabalho, vigente na Unicamp; instituição de cotas trans e vestibular indígena) e também o restante de itens da Pauta Unificada, que inclui moradia, restaurantes, mobilidade e outros.
- Negociar o restante da Pauta Unificada 2026, que aborda condições de trabalho e estudo, situação dos hospitais universitários, financiamento das universidades, entre outros.
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Ato com milhares sai às ruas de SP contra a precarização da educação, financiamento adequado para as universidades públicas, salários dignos e permanência estudantil
A grande concentração no Largo da Batata, na capital, no início da tarde de 20 de maio, já indicava a força e a relevância da marcha em defesa da educação e dos serviços públicos, que tinha como destino o Palácio dos Bandeirantes, a casa do governo Tarcísio de Freitas.
Milhares de pessoas, em sua grande maioria estudantes da Unesp, Unicamp e USP, mas também servidores e docentes destas instituições, de outras universidades e categorias do serviço público, estamparam suas faixas e cartazes, palavras de ordem e muita disposição para denunciar a precarização da educação pública paulista, a necessidade de financiamento adequado para as universidades estaduais paulistas, recursos para pagamento de salários dignos e permanência estudantil que permita não só o ingresso, mas também a manutenção dos filhos e das filhas da classe trabalhadora que ingressam cada vez mais nas educação superior pública. As universidades estaduais dobraram de tamanho nas últimas décadas, mas o financiamento segue estagnado.
A marcha também denunciou o aumento da violência policial nas periferias, a política privatista do governo estadual, que vem entregando empresas públicas importantes à iniciativa privada, como a Sabesp, linhas do Metrô e da CPTM e até escolas públicas. Em paralelo, destina bilhões para os grandes grupos econômicos a título de isenção fiscal – para o orçamento do estado em 2027, a previsão é de R$ 79,9 bilhões.
Além das/os representantes dos diretórios centrais acadêmicos das estaduais paulistas, estavam presentes e fizeram uso da palavra dirigentes da UNE, UEE, UBES, representantes de movimentos sociais e entidades que compõem o Fórum das Seis, parlamentares que apoiam o movimento.
Chegar até o Largo da Batata não foi tarefa fácil para boa parte dos manifestantes vindos do interior. Praticamente todos os ônibus com caravanas da Unesp e da Unicamp foram parados por policiais militares nas estradas, fortemente armados, com o explícito objetivo de atrasar a chegada à capital. Durante a manifestação, a presença da PM também foi ostensiva.
A marcha teve início em torno das 16h e chegou às proximidades do Palácio três horas depois. Um forte contingente de policiais bloqueou o caminho, mas a força do movimento forçou o governo a receber uma comissão dos manifestantes, com representantes dos três DCEs e da União Nacional dos Estudantes. Foram recebidos por assessores de Tarcísio de Freitas, apresentaram as reivindicações e solicitaram o agendamento de reunião do governador com as entidades do Fórum das Seis.
Neste 20 de maio, as estudantes e os estudantes das universidades estaduais paulistas deram um show de mobilização e garra para defender a educação pública, mostrando que as ruas são o cenário privilegiado para garantir e ampliar direitos!




