Viemos manifestar nosso mais veemente repúdio à recente decisão das direções das três Unidades do campus da Unesp de Bauru, que proibiram a realização de atividade de debate com a participação de Fernando Haddad (professor licenciado da USP e ex-ministro), que ocorreria no anfiteatro "Guilhermão".
Abaixo, explicitamos as contradições e a gravidade das posturas adotadas pela Direção da Faculdade de Ciências (FC) e pela Presidência do Grupo de Administração do Campus (GAC):
- A Falácia da "neutralidade institucional"
A revogação da autorização do evento, poucas horas antes de sua realização, sob o pretexto de salvaguardar a "neutralidade" da universidade, configura um grave cerceamento à liberdade de expressão e ao pluralismo de ideias — princípios que sustentam a própria existência da universidade pública. Cabe ressaltar que não se trata de impedimento institucional generalizado, visto que a mesma atividade foi desenvolvida livremente nas dependências do Instituto de Biociências de Botucatu, localizado no interior do campus da Unesp em Botucatu-SP. A burocracia não pode ser utilizada como ferramenta de veto ideológico ou de asfixia do debate político.
- Dois pesos e duas medidas: O caso do "Arraiá aéreo"
A alegada busca por neutralidade desmorona quando, praticamente no mesmo dia da proibição, a Direção da FC utiliza os canais oficiais de comunicação institucional para convidar o corpo docente a participar e prestigiar o "Arraiá Aéreo". O referido evento é centralizado na figura de Marcos Pontes, atual senador da República e ex-ministro de um governo marcado por severos contingenciamentos orçamentários nas universidades públicas e posturas reiteradamente anticientíficas. Além disso, recentemente, o senador comprovou sua atuação contrária aos interesses da população e aos direitos humanos assinando o documento que permite a jornada de trabalho 7x0 em contraposição ao projeto que defende o fim da da jornada 6x1, já aprovado com ampla maioria na câmara dos deputados, bem como votou favoravelmente à PEC da Pedofilia, contribuindo para retirar direitos que já eram garantidos para crianças vítimas de violência sexual.
Permitir e impulsionar institucionalmente um evento de clara projeção política e eleitoral de um parlamentar, enquanto se veta o debate com outro homem público, revela uma gritante contradição ética e administrativa da gestão.
- Falta de transparência orçamentária
O comunicado oficial emitido pela Direção afirmando que "não haverá verbas" para o Arraiá Aéreo levanta questionamentos legítimos sobre o histórico de uso de recursos, infraestrutura e pessoal da Unesp em edições anteriores. Exigimos total transparência e prestação de contas sobre o montante de patrimônio e dinheiro público indiretamente alocados para dar suporte a interesses privados e de promoção pessoal de agentes políticos que historicamente não contribuem com o fortalecimento da nossa universidade.
- Histórico de omissão e conivência
Essa postura da atual Direção da FC não é um fato isolado. Soma-se a isso o histórico recente de conivência e omissão diante da desproporcional e injustificada entrada da Polícia Militar no campus para reprimir manifestações estudantis, ferindo a autonomia universitária e contribuindo para criminalizar o livre direito de organização dos estudantes.
Nosso posicionamento
Diante do exposto, conclamamos toda a comunidade universitária — docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos — a rejeitar essas posturas que apequenam a história da Unesp de Bauru. Exigimos da Direção da FC e da Presidência do GAC uma conduta digna, transparente e verdadeiramente democrática, que respeite a autonomia do campus e garanta a livre circulação de ideias, sem perseguições ou favoritismos ideológicos.
Pela autonomia universitária e pela liberdade de expressão no campus!
Adunesp
Sintunesp
Bauru, 10 de junho de 2026.



