O Memorial da América Latina foi incluído, em maio, no Programa de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo, nome pomposo para acobertar a real intenção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é a de entregar para agentes privados um patrimônio público reconhecido, inclusive, internacionalmente por sua atuação nas áreas da cultura, educação e integração da América Latina e do Caribe.
Idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro e projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em um complexo com mais de 80 mil metros quadrados, próximo ao Instituto de Artes da Unesp, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista, o Memorial, inaugurado em 1989, se tornou ao longo das décadas um dos mais importantes centros culturais do país.
Justamente por sua relevância no cenário nacional, o anúncio de sua privatização gerou reação contrária na sociedade.
O Prolam (Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina), da Universidade de São Paulo, divulgou carta aberta dirigida ao presidente da Fundação Memorial da América Latina, Pedro Mastrobuonno, em que destaca a contrariedade e a preocupação com a possibilidade de o Memorial passar às mãos da iniciativa privada.
No texto divulgado e assinado pelos professores que coordenam o Programa da USP, é enfatizado que o Prolam vai atuar para reverter a decisão que privatiza na prática uma instituição pública.
“Colocamo-nos à disposição para as iniciativas que forem necessárias, visando a revisão da decisão publicada, para preservar esse importante patrimônio da população do Estado de São Paulo e da América Latina, reconhecido internacionalmente”, diz trecho do documento.
Em outra passagem ressalta: “Esta notícia nos tomou de surpresa, considerando a história do Memorial da América Latina e sua articulação acadêmica com as principais universidades do estado de São Paulo, USP, UNESP, UNICAMP e Universidade Zumbi dos Palmares, com a FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo e com o PROLAM – Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina, da Universidade de São Paulo”.
O próprio Mastrobuonno também manifestou surpresa com a intenção do governo Tarcísio de privatizar o Memorial. Ele só soube da decisão com a publicação da resolução do governo no Diário Oficial do Estado.
A Adunesp repudia de forma veemente mais esse ataque de Tarcísio de Freitas contra o patrimônio público. E atua para que o Memorial intensifique os laços de integração do Brasil com a América Latina e o Caribe.
Cresce movimento contra privatização
No último dia 30, dois eventos na capital paulista marcaram a resistência contra a privatização do Memorial da América Latina.
Pela manhã, na Casa da Cidade foi criado o movimento SOS Memorial, com a participação de representantes da sociedade civil em diversas áreas. Um dos objetivos é estabelecer um Distrito Acadêmico do Memorial que envolva a USP, Unesp e Unicamp, para rechaçar a proposta que quer privatizar esse patrimônio público.
À noite, foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, convocada com o objetivo de fortalecer a luta contra a privatização do Memorial da América Latina.
Os deputados petistas Eduardo Suplicy e Maurici, proponentes da audiência, também apresentaram um projeto de decreto legislativo para sustar a privatização do Memorial.
Além do ataque ao patrimônio público, o governador Tarcísio ainda conduziu o processo praticamente de forma clandestina, sem garantir o debate e a devida transparência sobre a decisão tomada.
Para assistir a audiência pública, clique aqui: https://www.youtube.com/live/fm1ET5yLIvU?si=deG0T_EEzXmUL-2Z



