Extrema direita e empresários querem derrubar fim da Escala 6x1 no Senado

Extrema direita e empresários querem derrubar fim da Escala 6x1 no Senado

Alcolumbre ainda não apresentou calendário para votar PEC aprovada na Câmara 


Após ser aprovada por ampla maioria dos parlamentares na Câmara dos Deputados, a PEC que prevê o fim da Escala 6x1 empacou no Senado.

Para entrar em vigor, a Proposta de Emenda Constitucional vinda da Câmara precisa ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Casa e seguir para o plenário, onde deve receber a aprovação de 3/5 dos senadores, o que equivale a 49 votos, em dois turnos.

Por enquanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP) não definiu o calendário para a votação.

Em 1º/7, ocorreu uma sessão sobre o tema no Senado, e ele se reuniu com representantes do empresariado e dos trabalhadores. De concreto, nada avançou. Apenas a promessa de que pretende derrubar a regra de transição que prevê que as 40 horas semanais passem a valer somente 14 meses após a aprovação do texto.

Empresários são contra o fim da jornada 6x1 e pedem que Alcolumbre não vote a PEC neste ano, pois temem que, por ser período eleitoral, os parlamentares aprovem o texto para não se indisporem com o eleitorado e serem rejeitados nas urnas. 

Ataque aos trabalhadores

A extrema direita no Senado também preparou uma armadilha para atacar os trabalhadores. E já apresentou um texto que sepulta o fim da Escala 6x1.

O senador bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição ao governo, é o autor da PEC que acaba com qualquer possibilidade de proteção ao trabalhador. Pela proposta, o trabalhador terá de negociar sua jornada diretamente com o patrão e só será remunerado pelas horas efetivamente trabalhadas. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também serão proporcionais às horas trabalhadas.

O ex-vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (Republicanos – RS), é um dos senadores que apoia o texto de Marinho.

Ele defende que o trabalhador se acerte diretamente com o patrão, sem nenhum tipo de legislação que o proteja, sob o argumento de que o empregado deve ter a liberdade de negociar o período que quer trabalhar.

A PEC da extrema direita foi protocolada no Senado em 28 de maio, um dia após a PEC que derrubou a Escala 6x1 ser aprovada na Câmara. No mesmo dia, Alcolumbre remeteu a proposta da ultradireita para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

A Adunesp repudia qualquer forma de ataque aos direitos trabalhistas e continuará atuando, junto com os movimentos sociais, para que a PEC que acaba com a jornada 6x1 também seja aprovada no Senado neste ano. 

Ato pressiona Senado por celeridade

No dia 30/6, manifestantes realizaram um protesto na avenida Paulista, na capital, para pressionar o Senado a votar rapidamente o texto que garante aos trabalhadores o descanso semanal remunerado de dois dias.

O protesto foi convocado pelo Fórum das Centrais Sindicais, pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT).

Davi Alcolumbre e os senadores que tentam impedir o fim da Escala 6x1 foram criticados durante a manifestação, que reuniu milhares de pessoas.

Manifestação pelo fim da Escala 6x1, na avenida Paulista, em SP (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)