NEGOCIAÇÃO, JÁ! Em meio à greve, Cruesp tem o dever e a responsabilidade de romper a intransigência e dialogar com a comunidade

NEGOCIAÇÃO, JÁ! Em meio à greve, Cruesp tem o dever e a responsabilidade de romper a intransigência e dialogar com a comunidade

As sessões dos conselhos universitários da USP e da Unicamp, em 26/5, não tiveram os resultados esperados pelos reitores. Em ambas, estava em pauta o referendo ao reajuste salarial de 3,47% oferecido pelo Cruesp na negociação de 4/5 e mantido na de 14/5.

Na Unicamp, a proposta apresentada pela bancada dos servidores técnico-administrativos e defendida por representantes dos três segmentos, de retirada do reajuste da pauta, foi aprovada com 40 votos a favor, 24 contrários e 2 abstenções. Uma votação histórica.

Na USP, após insistência dos representantes discentes para que as reivindicações estudantis fossem incluídas na pauta – absurdamente, após quase 50 dias de greve do segmento, não havia nada previsto, especialmente a questão do reajuste dos auxílios – o reitor Aluísio Segurado simplesmente suspendeu a sessão e foi embora. Antes disso, já havia transferido a reunião para outro local, o IPEN, na tentativa de evitar as manifestações agendadas.

A submissão do reajuste salarial aos conselhos máximos das universidades – que só não ocorre na Unesp – é uma tentativa de enfraquecer a mesa de negociação entre Fórum das Seis e Cruesp e dar o assunto como encerrado.

A greve nas três universidades exige respostas do Cruesp! É preciso que os reitores rompam a intransigência e reabram as negociações, como já solicitado pelo Fórum das Seis. E é preciso também que fique claro: a comunidade não aceitará nenhuma retaliação a qualquer dos segmentos em greve, em nenhuma das três universidades!

No fechamento deste boletim, em 27/5, além dos estudantes das três instituições, já estavam paralisados os docentes da Unicamp, da USP e Unesp (nos campi de Bauru, Marília, Araraquara, Rio Preto, Rio Claro, Franca, Assis e Guaratinguetá). Entre os servidores técnico-administrativos, estão parados os da Unicamp e da Unesp (nos campi de Bauru, Rio Preto, Marília, Franca e Jaboticabal); na USP, eles têm assembleia em 29/5.

Queremos a reabertura das negociações para:

- Debater a contraproposta salarial apresentada pelo Fórum das Seis: 4,39% (inflação medida pelo IPCA/IBGE de 12 meses) + 3% (como primeiro passo para uma política de reposição de parte das perdas para voltarmos ao poder aquisitivo de maio/2012), totalizando 7,52%.

- Debater a permanência estudantil: Inicialmente, os 4 pontos centrais apresentados pelo Fórum (reajuste e ampliação das bolsas, tendo como horizonte o valor do salário-mínimo paulista; discussão sobre os conceitos de bolsa e auxílio; fim da exigência de contrapartida de trabalho, vigente na Unicamp; instituição de cotas trans e vestibular indígena) e também o restante de itens da Pauta Unificada, que inclui moradia, restaurantes, mobilidade e outros.

- Debater o restante da Pauta Unificada 2026, que aborda condições de trabalho e estudo, situação dos hospitais universitários, financiamento das universidades, entre outros.

Fórum das Seis reúne-se em 29/5

As entidades sindicais e estudantis que compõem o Fórum das Seis reúnem-se para avaliar o movimento e definir os próximos passos da mobilização.

.............

Fascistas e racistas elegem universidades como território de caça de postagens

Não é de hoje que agrupamentos políticos de cunho racista e fascista elegem as universidades públicas como alvo para ataques e tentativas de desqualificação. Em ano eleitoral, a sanha boçal vai ao extremo.

Nos últimos meses, campi da Unesp, Unicamp e USP têm sido invadidos por pessoas sem nenhuma relação com a universidade, mas decididas a destilar discursos de ódio e agressões contra instituições que se apresentam como contraponto à ignorância e aos preconceitos que alimentam estes grupos. Os ataques mais recentes ocorreram nos campi da Unesp em São José do Rio Preto e Araraquara. Munidas de baldes de tinta para cobrir cartazes e divulgações estudantis nas áreas internas, provocam e agridem estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes, na tentativa de angariar fotos e vídeos para publicar em suas redes sociais.

É fato que a história recente do país compôs e estimulou um cenário de banalização da violência e da discriminação, induzindo fascistas enrustidos e racistas de todos os matizes a se exporem com mais virulência. Mas também é fato que a comunidade universitária não aceitará ser agredida! Seguiremos juntas e juntos defendendo e lutando por uma universidade pública, gratuita, democrática, de qualidade e socialmente referenciada nos interesses da maioria da população.