Entrega ao Cruesp será em 22/4. Queremos debater o conjunto da pauta, que inclui melhorias nas condições de trabalho e estudo, permanência estudantil, financiamento das universidades estaduais paulistas, entre outros
O Fórum das Seis será recebido pela professora Maysa Furlan, reitora da Unesp e atual presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), no dia 22/4, às 11h. O objetivo é fazer o protocolo formal da Pauta Unificada de Reivindicações 2026 e solicitar o agendamento da primeira negociação para breve, uma vez que a data-base das categorias é 1º de maio. O protocolo estava inicialmente marcado para 16/4, mas foi adiado para dar tempo a que todas as categorias realizassem suas assembleias.
Índice para voltar a maio/2012 já está em 15,97%. E ainda falta a inflação de abril
A reivindicação salarial central da Pauta 2026 é a reposição das perdas de maio/2012 a abril/2026. A escolha desse período se deve ao fato de que maio/2012 registra o maior poder aquisitivo dos salários neste século.
De acordo com os cálculos do Grupo de Trabalho (GT) Verbas, coordenado pela Adusp e com a participação de outras entidades do Fórum, para voltarmos a maio/2012 – neste mês de abril – seria necessário um índice de 15,97%. Esse número considera a inflação medida até março/2026; portanto, ainda falta o percentual de abril/2026 para termos o total da reivindicação.
Ainda segundo estudos do GT Verbas, o não pagamento integral da inflação desde maio/2012 já gerou um prejuízo correspondente a 22,7 salários para cada servidor/a docente e técnico-administrativa/o.
Perdas calculadas pelo IPCA-IBGE
Na Pauta deste ano, o Fórum das Seis passou a utilizar o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), formulado pelo IBGE, para calcular nossas perdas.
Aqui vale uma nota explicativa: historicamente, vínhamos usando o índice do Dieese, acordado como o mais adequado para medir as perdas salariais das categorias; com sua descontinuidade em 2020, passamos a adotar provisoriamente um critério híbrido (Dieese até sua interrupção e INPC a partir daí). Para simplificar a referência e evitar críticas a essa solução híbrida, optamos agora por um índice único e oficial: o IPCA, que tem abrangência nacional e cobertura de famílias com renda de 1 a 40 salários-mínimos, sendo o principal indicador de inflação do país.
Em contraste, o Cruesp tem se baseado no IPC-Fipe, um índice privado, restrito ao município de São Paulo e que se baseia nos gastos de famílias com renda de 1 a 10 salários-mínimos, na avaliação do Fórum inadequado para representar uma categoria distribuída pelo estado e em que uma parcela relevante possui rendimentos acima desse limite. Além disso, o IPC-Fipe adota escolhas metodológicas — como média geométrica e substituição de produtos — que subestimam os valores reais de inflação.
Pauta vai além dos salários: Demandas dos três segmentos em destaque
Além do tópico salarial, outros pontos igualmente relevantes compõem a Pauta Unificada 2026 e a expectativa das categorias é que sejam integralmente debatidos e negociados entre as partes. Resumidamente, eles tratam de:
I - Recomposição do poder de compra e isonomia: Descreve a reivindicação salarial, que tem como eixo a recuperação do poder aquisitivo de maio/2012. O item também ganha importância adicional diante da recente medida adotada pela reitoria da USP, de concessão de uma gratificação à categoria docente, o que levou os/as servidores/as técnico-administrativos/as à greve.
II – Valorização dos níveis iniciais das carreiras: A reivindicação é que o Cruesp crie um grupo de trabalho específico para estudar propostas isonômicas para a valorização dos níveis iniciais das carreiras de ambos os segmentos.
III – Financiamento das universidades: Por conta da reforma tributária, o Fórum das Seis propõe a substituição dos 9,57% da quota-parte do estado no ICMS (parâmetro atual) por 8,64% da Receita Tributária Líquida (RTL) do estado, e solicita que o Cruesp se some nesta defesa. O Fórum considera que esse tema deve ser discutido de forma ampla e urgente no âmbito do grupo de trabalho (GT) recém-criado entre as partes, mas ainda à espera de uma primeira reunião.
IV – Previdência: O item defende a integralidade e a paridade para as aposentadorias, tratamento isonômico entre pessoas aposentadas e da ativa e fim das contribuições de aposentadas/os e pensionistas, a possibilidade de retomada de adesão dos celetistas ao SP-PREVCOM, entre outros.
V – Acesso e permanência estudantil/gratuidade ativa: São demandas relacionadas às políticas de cotas, moradia estudantil, restaurantes universitários, bolsas, saúde mental e outras. O Fórum reivindica pradrão isonômico no tratamento da permanência estudantil, mantidas as diferenças em cada universidade. .
VI – Condições de trabalho e estudo: O ponto traz questões relacionadas às creches, às contratações (sempre por concurso público), combate aos assédios e outras formas de violência, políticas de inclusão e diversidade, fim das terceirizações e reversão das já existentes, entre outras. Neste tópico, aparece a reivindicação relativa ao pagamento dos retroativos decorrentes do congelamento dos 583 dias durante a pandemia. Também há um item que reivindica a manutenção da integralidade dos salários dos celetistas afastados por licença-saúde.
VII - Defesa da saúde pública, dos Hospitais Universitários (HU) e Centros de Saúde: A pauta indica a defesa do caráter público destes órgãos, de contratações e outros, além de algumas reivindicações voltadas ao Iamspe. O item ganha destaque neste momento, em que está em discussão na Unicamp a transformação da área da saúde da Universidade em autarquia vinculada à Secretaria Estadual da Saúde para fins orçamentários e de gestão administrativa, medida considerada nociva pelas entidades representativas.
VIII - Centro Paula Souza: O último ponto da pauta destina-se à defesa do reconhecimento do vínculo entre o Centro Paula Souza – que administra as escolas técnicas e faculdades de tecnologia públicas do estado – e a Unesp. O vínculo refere-se aos aspectos didáticos e científicos, administrativos e de resultados. A pauta também pede a recomposição das perdas salariais do pessoal do Centro de acordo com índices adotados pelo Cruesp nas universidades no período de 1996 a 2026.
Confira a íntegra da Pauta Unificada em https://tinyurl.com/PautaF62026
Sem luta, não tem conquista! Postura da reitoria da USP redobra necessidade de mobilização
A iniciativa da reitoria da USP – de aprovar uma gratificação de R$ 4.500,00 por até 24 meses para a categoria docente – torna o cenário mais desafiador. Cria constrangimentos para as reitorias das outras universidades no âmbito do Cruesp e caracteriza-se como ação profundamente desrespeitosa para com o conjunto das comunidades das três universidades.
Esta conjuntura torna a mobilização elemento essencial na campanha salarial deste ano. Se queremos negociações sérias sobre reajuste salarial, reposição de perdas, melhores condições de trabalho e estudo, permanência estudantil e outras reivindicações, teremos que ir à luta!



