Para evitar danos na campanha, Tarcísio reassumiu controle por 90 dias das três linhas da CPTM privatizadas por ele
A greve dos trabalhadores da CPTM escancarou os problemas que as privatizações realizadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) trouxeram para a população. Eles paralisaram as atividades por dois dias, em 4 e 5/8, para pressionar pela manutenção dos empregos e a reestatização das três linhas que ligam a zona leste e região metropolitana ao centro da cidade (11-Coral, 12-Safira e 13-Jade), após falhas nos ramais que resultaram no incêndio em um dos vagões de uma das composições, no dia 23/7, logo após a empresa privada Trivia Trens assumir o controle das linhas.
O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil ressalta que dos 4.700 funcionários da CPTM, apenas 11% foram absorvidos pela empresa privada.
Os trabalhadores decidiram voltar ao trabalho em assembleia na noite de 5/8, após o governo ter se comprometido a incorporar os funcionários da CPTM à administração pública, inclusive os da linha 10, que ainda continua estatizada. Projeto de lei do Executivo nesse sentido já foi encaminhado à Assembleia Legislativa, e está em fase de tramitação. O sindicato adverte, no entanto, que os ferroviários permanecem em estado de greve. Uma nova reunião está agendada com representantes do governo para 19/8, quando deve ocorrer a assinatura de um acordo coletivo de trabalho.
Queixas recorrentes
As inúmeras queixas diárias veiculadas na imprensa, denunciando falhas registradas na linha 9 da ViaMobilidade, após a privatização realizada pelo governo Doria, foram solenemente ignoradas por Tarcísio, que preferiu seguir em sua sanha privatista, sacrificando o patrimônio público para agradar o privado.
Um dos exemplos é a transferência dos trens novos da frota da linha 10, a única ainda pública e sob controle da CPTM, para os ramais privatizados pelo atual governador, como destaca o Diário do Grande ABC. Ele teve que recuar, no entanto, após uma chuva de críticas de usuários da linha 10, que foram “presenteados” com composições com 18 anos de uso. Temendo perder votos na eleição, Tarcísio trouxe de volta os trens novos que haviam sido entregues para a empresa privada.
Os usuários temem, no entanto, que após 4 de outubro os trens antigos das linhas privatizadas sejam trazidos novamente para a linha pública, e os novos transferidos mais uma vez para a Trivia.
Sabesp
A privatização da Sabesp foi outra ação do governo Tarcísio que atingiu em cheio a população mais pobre. Além de aumentar a tarifa, piorou a qualidade do serviço, com cortes constantes no fornecimento de água.
Desde sua privatização, em 2024, a empresa vem acumulando lucros bilionários. De acordo com o Sintaema, o sindicato da categoria, a companhia registrou lucro de quase R$ 10 bilhões em 2024 e R$ 8,5 bilhões em 2025. Mas a entidade ressalta que os lucros bilionários, em quase sua totalidade, são repassados para acionistas e diretores, ao invés de serem investidos na melhoria dos serviços e redução das tarifas.
Além disso, ocorreu uma redução drástica no número de funcionários diretos se comparado ao período anterior à privatização. Na outra ponta cresceram os terceirizados.
É nessa esteira que começaram a pipocar inúmeros acidentes em obras da companhia, vários deles com mortes. O mais conhecido é o que perfurou a tubulação da Comgás, em maio deste ano, e matou duas pessoas, além de mandar pelos ares várias residências no bairro do Jaguaré. A Sabesp alegou que o serviço foi executado por uma empresa terceirizada, o que não afasta a sua responsabilidade nos fatos ocorridos.
Ente 2025 e 2026, a companhia registrou quatro mortes em suas obras.
Em entrevista ao G1, o secretário-geral do Sintaema, Edison Flores Lima Filho, atribui os acidentes ao aumento da terceirização e à redução do quadro de funcionários após a privatização da companhia.
“Antes da privatização, nós estávamos com cerca de 15,5 mil trabalhadores. Hoje estamos com cerca de 8,3 mil de mão de obra direta.” Ele frisa que nesse processo ocorreu a perda de trabalhadores experientes e aumento da pressão sobre as equipes.
A Sabesp conseguiu a proeza de superar a Enel na lista de reclamações do Procon em 2025, de acordo com a CBN. As queixas triplicaram em relação a 2024 e quadriplicaram se comparado a 2023.
Enel
A Enel, empresa que se tornou famosa no país pelos apagões na capital paulista após os temporais no final de 2025, que deixaram mais de dois milhões de imóveis sem eletricidade durante dias, sustenta uma “honrosa” segunda colocação nas reclamações dos clientes.
Assim como a Sabesp, a Enel reduziu drasticamente o número de funcionários diretos e terceirizados, o que explica o péssimo serviço oferecido. Entre o ano de 2020 até o terceiro trimestre de 2025, a queda registrada superou os 25%, segundo o Sinergia CUT.
O contingente de terceirizados caiu de cerca de 21 mil funcionários para pouco mais de 15.500. Entre os trabalhadores próprios a redução foi de aproximadamente 5.800 para pouco mais de 4.600. No mesmo período, o patrimônio líquido da empresa cresceu 51% no Brasil, o que torna explícito quem são os verdadeiros beneficiários da privatização da Enel.



