Moradia digna é direito, especulação imobiliária é crime contra a população. Todo apoio às famílias da Ocupação dos Queixadas

Moradia digna é direito, especulação imobiliária é crime contra a população. Todo apoio às famílias da Ocupação dos Queixadas

 A Associação dos Docentes da Unesp – Adunesp Seção Sindical do Andes-SN solidariza-se com as cerca de 100 famílias da Ocupação dos Queixadas, em Cajamar (SP).

Embora estejam há quase sete anos no local, as trabalhadoras e os trabalhadores correm o risco de serem expulsos.

Está marcado para 14/7/2026 o julgamento de uma ação de despejo em favor da suposta dona do terreno, que não apresentou qualquer documento que ateste ser sua a propriedade.

Os desdobramentos judiciais da disputa têm forte influência da Prefeitura da cidade, que vem ignorando nos últimos anos todas as possibilidades de regularização da ocupação. O governo paulista chegou a manifestar interesse em incluir o local no programa Cidade Legal. Já o governo federal, por meio da Secretaria Nacional das Periferias do Ministério das Cidades, ofereceu à Prefeitura de Cajamar recursos do programa Periferia Viva, para adquirir o terreno e fazer a urbanização. Não houve interesse do então prefeito Danilo Joan e do atual, Kauãn Berto, ambos do PSD, em nenhuma das duas propostas.

Nestes sete anos, as famílias lutaram bravamente, com protestos de rua, panfletagens e ocupações na Prefeitura e na Câmara. Ao mesmo tempo, transformaram o terreno abandonado em verdadeiro bairro, com horta comunitária, biblioteca, brinquedoteca e atividades culturais constantes.

A ação judicial propõe o despejo das famílias e, em contrapartida, oferece medidas temporárias e precárias, que nem de longe apresentam alternativas dignas para os moradores da Ocupação. Ao contrário, a Prefeitura se omite frente às consequências concretas da remoção, como a interrupção dos estudos das crianças, a perda de empregos, o rompimento de vínculos comunitários e a possibilidade de lançamento das famílias em situação de rua.

Tudo isso ocorre em meio à investigação iniciada no final de 2025, que envolve o atual e o ex-prefeito, suspeitos de superfaturamento em desapropriações e locações de imóveis envolvendo empresas de fachada e “sócios ocultos” ligados à gestão municipal, num montante que pode chegar a R$ 875 milhões. O mais perverso é que a desapropriação de Queixadas por interesse social custaria menos de R$ 200 mil, valor venal do imóvel.

A Adunesp soma-se às entidades sindicais e populares que exigem uma solução digna para as famílias da Ocupação Queixadas e rejeitam qualquer iniciativa de despejo.

Morada digna é direito!

Especulação imobiliária e corrupção são crimes contra a população.

 

 

São Paulo, 13 de julho de 2026.
Diretoria da Adunesp Central