Plenária da Adunesp declara-se em reunião permanente, indica às assembleias de base a suspensão da greve e que se declarem em assembleias permanentes

Plenária da Adunesp declara-se em reunião permanente, indica às assembleias de base a suspensão da greve e que se declarem em assembleias permanentes

Objetivo é prosseguir a mobilização para acompanhamento constante dos compromissos assumidos pela reitoria com os três segmentos no contexto da greve. Financiamento das universidades, permanência estudantil e início da construção da pauta específica dos docentes da Unesp estão no horizonte 

Em nova Plenária Estadual, realizada em formato online na tarde de 19/6, representantes de nove campi avaliaram o movimento e aprovaram indicativos para o próximo período. Os informes eram de que, dos oito campi em greve, haviam feito assembleia Rio Claro (em 18/6), Araraquara e Assis (ambos em 19/6, pela manhã). Rio Claro e Araraquara deliberaram por suspender a greve, enquanto Assis aprovou sua manutenção. Os demais (Bauru, Marília, Franca, Rio Preto e Botucatu) têm assembleias agendadas para a próxima semana.

A avaliação que se seguiu mostrou que, embora haja insatisfação na categoria com o desfecho da questão salarial (que ficou em 3,92% de reajuste) e com a ausência de debate dos demais pontos da Pauta Unificada, o fato de as universidades coirmãs já terem suspendido a greve – com exceção dos servidores técnico-administrativos da Unicamp – contribui para a decisão de suspensão da greve na Unesp.

O grande salto organizativo alcançado pela Adunesp foi destacado em todas as falas e é resultado da participação efetiva da base da categoria. A greve – e tudo o que vem com ela, como os atos públicos, as assembleias, os debates sobre os temas que impactam a universidade – colocou em evidência a importância da atuação coletiva para a garantia de direitos e por conquistas, atraindo muitos docentes novos para o movimento. Eles se engajaram na luta pela preservação da universidade pública, laica, gratuita e socialmente referenciada, que se encontra sob forte ataque/risco nesses tempos difíceis pelos quais estamos passando. A diretoria da Adunesp Central entende que, para além disso, esse avanço também nos arma para o enfrentamento de situações de assédio moral e assédio sexual, infelizmente presentes no âmbito dos nossos relacionamentos cotidianos de trabalho, tanto com contornos pessoais, quanto institucionais.

A Plenária também discutiu a necessidade de prosseguir na mobilização em torno, especialmente, do financiamento das estaduais paulistas e das pautas da permanência estudantil. Neste cenário, foram aprovados alguns indicativos, que devem ser avaliados pelas assembleias nos campi: 

  • Suspensão da greve;
  • Decretação, pelas subseções e representações de base, de assembleia permanente;
  • Apoio aos segmentos estudantil e técnico-administrativo em suas demandas.
  • Organização de atividades, locais e estaduais, para aprofundar a discussão sobre o financiamento das universidades a partir da reforma tributária, bem como das formas de luta pela sua ampliação. Exemplos: debates, presença em eventos onde esteja o governador Tarcísio de Freitas, idas às câmaras municipais e escritórios regionais de parlamentares para coletar moções de apoio à garantia de financiamento adequado para as universidades. O ano eleitoral é um momento oportuno para estas ações. 

Manter-se em reunião plenária permanente (caso da AD Central) e em assembleias permanentes (caso dos campi) é uma forma de assegurar/garantir a continuidade de uma mobilização consistente e, também, convocar a categoria para novas lutas sempre que necessário, sem burocracias legais.

Nova sessão da Plenária Estadual está agendada para 29/6, com o objetivo de avaliar os resultados das assembleias de base, eventuais problemas que possam aparecer no retorno ao trabalho dos campi que assim deliberarem e dos demais campi, além da definição dos próximos passos da categoria. 

‘Gabinete de crise’

Em 18/6, diretores da Adunesp Central foram recebidos pela reitoria. Eles levaram os pontos que haviam sido listados na Plenária de 16/6, como relatado abaixo.

Um destes pontos diz respeito ao chamado ‘gabinete de crise’, instituído pela Portaria Runesp nº 52, de 26/5/2026, tema que rendeu bastante discussão na Plenária. Embora a reitora e o vice-reitor tenham afirmado que a iniciativa não tem nada a ver com a greve (veja a seguir), e sim com medidas de combate ao assédio, os termos da portaria causam preocupação, porque há o receio de que possam abrir espaço para, futuramente, cercear o direito de greve, por exemplo. Diante disso, foi deliberado remeter o documento para análise da AJ da Adunesp.

Como foi a reunião entre Adunesp e reitoria

A pedido da Adunesp, a reitora e o vice-reitor, Profa. Maysa Furlan e Prof. Cesar Martins, receberam a entidade, que esteve representada por seus diretores Antônio Luís de Andrade/Tato, Milton Vieira do Prado Jr. e João Chaves.

Os diretores da Adunesp apresentaram os pontos que haviam sido listados na Plenária de 16/6 e solicitaram manifestação dos gestores sobre cada um deles. Antes disso, eles informaram a posição dos docentes da Unesp quanto ao reajuste salarial de 3,92% negociado pelo Cruesp, que o consideraram insuficiente, reivindicando que haja avanço quanto à reposição do poder de compra que os salários tinham em maio/2012. A reitora respondeu que, neste momento, frente às dificuldades orçamentário/financeiras, a conclusão do Cruesp é que este é o máximo possível.

Os diretores da Adunesp enfatizaram a importância de que a reunião entre reitoria e DCE Helenira Resende (marcada para 19/6/2026) fosse produtiva e avançasse em compromissos concretos. Também destacaram a relevância do agendamento de mesas conjuntas dos três segmentos com a reitoria e, ainda, mesas separadas com cada entidade. Em ambos os pedidos, houve manifestação favorável da reitora. Quanto à mesa com o Sintunesp, ela disse estar aguardando a solicitação de agendamento, que deve ser feita quando a entidade concluir a montagem de sua pauta específica.

A seguir, passamos para os pontos listados pela Plenária de 16/6: 

1) Revogação da Portaria nº 52, de 26/5/2026, que criou o ‘gabinete de crise’. Em seu lugar, que sejam estabelecidas negociações efetivas com os três segmentos.

A reitora e o vice-reitor disseram que há um mal-entendido na forma como a comunidade entendeu o teor da portaria. Segundo eles, não há nenhuma relação com a greve que ocorre neste momento e sim com uma iniciativa que vem sendo gestada há tempos e que tem a ver com casos de assédio na Universidade. Diante dessa explicação, os diretores da Adunesp solicitaram que a reitoria providencie um comunicado esclarecendo a questão.

2) Revogação imediata do Comunicado Runesp de 29/5/2026, que suspendeu as homologações dos concursos de docentes, pesquisadores e técnico-administrativos, de modo a impedir que sejam prejudicadas pelo início das restrições eleitorais.

Os diretores da Adunesp entregaram à reitora um documento com a manifestação de quatro departamentos do campus de Botucatu, solicitando a revogação do comunicado, tendo em vista a forte necessidade de pessoal docente e técnico-administrativo. Eles também questionaram o fato de que os recursos previstos para estas contratações já estariam consignados na peça orçamentária deste ano.

A reitora disse que não é possível revogar a medida agora e que isso pode ocorrer no início de 2027. Segundo ela, as homologações suspensas agora comprometeriam um montante de R$ 30 milhões até o final do ano.

Neste ponto, os representantes da Adunesp também questionaram os gastos previstos para o projeto 50+. A reitora respondeu que esse montante está sendo revisto, devido às dificuldades orçamentário-financeiras atuais, e que não deve ser cumprido em sua totalidade este ano. 

3) Edição de portaria no âmbito da reitoria definindo a reorganização do calendário acadêmico nas unidades em que há greve. Garantia, pelas direções locais, de instituição de calendário para garantia de reposição do semestre.

A Profa. Maysa e o Prof. Cesar afirmaram que, ao final da greve, haverá orientação geral da reitoria para que os calendários sejam reorganizados, de modo a impedir quaisquer prejuízos à comunidade. 

4) Avaliação da situação dos docentes substitutos nos campi em greve, com prorrogação, pelo menos, dos contratos de cinco meses, de modo a possibilitar a finalização das disciplinas.

Reitora e vice-reitor reforçaram que o compromisso é que os alunos tenham garantido o total cumprimento das atividades acadêmicas. Quanto à prorrogação dos contratos dos substitutos, afirmaram que será preciso avaliar cada caso e, também, se é possível legalmente prorrogá-los. 

5) Garantia de nenhuma punição ou prejuízo a nenhum membro da comunidade em função de adesão ao movimento.

Reitora e vice-reitor afirmam que ninguém será punido ou prejudicado por ter feito greve, em nenhum segmento. No entanto, ressaltaram que, em casos de ocorrência de “depredações e danos ao patrimônio” comprovada, os autores serão “responsabilizados”. 

6) Explicitação das iniciativas da reitoria e do Cruesp pela ampliação do financiamento das universidades e definição de novos parâmetros adequados em meio à reforma tributária.

A reitora destacou que o financiamento é assunto central na agenda do Cruesp e que os reitores estão fazendo contatos com o governo e parlamentares. Ela pontuou que a composição política da Alesp é difícil, mas que os contatos vão prosseguir e que o principal objetivo é garantir a autonomia universitária e o repasse adequado de recursos.

Os representantes da Adunesp solicitaram que a reitoria divulgue um documento o quanto antes, informando a comunidade sobre as iniciativas que estão sendo feitas, bem como emita posições públicas (artigos em jornais, por exemplo) defendendo a necessidade de mais recursos para as universidades. Eles também cobraram o início dos trabalhos do GT formado entre Cruesp e Fórum no final de março/2026, para discutir a reforma tributária e o financiamento das universidades. O GT não realizou nenhuma reunião até este momento. A reitora comprometeu-se a agilizar isso.

Ainda sobre financiamento, os diretores da Adunesp citaram iniciativas que poderiam ser agregadas, como o questionamento dos altos valores destinados pelo governo a título de isenção fiscal, a solicitação de emendas na Alesp para ampliar os recursos destinados à permanência estudantil, o questionamento ao governo sobre o não cumprimento da Lei 1.010/2007 (que define ser do Executivo a responsabilidade por cobrir a insuficiência financeira dos órgãos do estado, o que não ocorre em relação às universidades). A insuficiência financeira é o que falta para o pagamento das aposentadorias e pensões após o recolhimento das contribuições previdenciárias.