Universidade sob ataque! Plenária da Adunesp indica manutenção da greve, reafirma reivindicações e repudia reintegração de posse no IA e ameaças de repressão nos campi

Universidade sob ataque! Plenária da Adunesp indica manutenção da greve, reafirma reivindicações e repudia reintegração de posse no IA e ameaças de repressão nos campi

Docentes se unificam em apoio às pautas estudantis, defesa de reajuste salarial digno, financiamento e autonomia universitária

Um encontro bastante representativo, com a participação de docentes de 12 campi, com debates sobre questões chave para o futuro da universidade pública. Assim foi a Plenária Estadual da Adunesp, realizada em formato online na tarde de 28 de maio. Os informes das subseções e representações de base mostraram um sindicato vivo e atuante e uma universidade em ebulição, expondo seus problemas, exigindo diálogo, busca de soluções, reafirmando sua disposição de luta em defesa da universidade pública, verdadeiramente gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada, contra o arbítrio e a repressão. Um sindicato que se constituiu desde a criação da Unesp e se fez presente em todos os momentos em que a dignidade do trabalho docente, a permanência estudantil, a democracia interna e a autonomia universitária estiveram em risco, como é o caso atual.

Durante a plenária, os/as participantes foram surpreendidos com a notícia de que a Unesp havia solicitado reintegração de posse contra a ocupação estudantil no Instituto de Artes de São Paulo. Poucos minutos depois, numa prova da agilidade da justiça quando se trata de atacar os movimentos sociais, chegava a decisão do TJ-SP, concedendo a medida liminar e autorizando “o uso da força policial, caso necessário, para o cabal cumprimento da ordem”, além de estabelecer multa diária de R$ 1.000,00 por estudante identificado em caso de nova ocupação

As manifestações dos/as presentes na Plenária da Adunesp foram de grande indignação e repúdio à iniciativa da instituição, que substitui o necessário diálogo pela repressão e pela truculência policial contra estudantes em luta. Seguiram-se relatos de iniciativas repressoras em vários campi, inclusive com ameaças de direções locais de “tomar as medidas legais cabíveis” contra o movimento. Essas iniciativas nos reportam à repressão perpetrada durante a ditadura empresarial militar pelo coronel Erasmo Dias contra os estudantes reunidos na PUC/SP em setembro de 1977. A administração de Unesp estaria flertando com leis de décadas atrás, como a Lei Adolfo, de 1907 e reeditada em 1923, de repressão aos movimentos operários e sociais? Estaria flertando com o Decreto-Lei nº 477, editado em 1969, conhecido como o “AI-5 das universidades”, por criminalizar manifestações políticas e determinava punições severas e sumárias para estudantes, professores e funcionários?

Dirigentes da Adunesp, que se encontravam no IA no momento da plenária, para acompanhar uma assembleia docente, prestaram apoio e solidariedade aos/às estudantes, que tomaram a decisão de deixar o local antes que a ação policial se concretizasse. 

A greve

Ferramenta de luta indicada pelo Fórum das Seis, tendo como pautas centrais as reivindicações salariais, as demandas da permanência estudantil e a garantia e ampliação do financiamento para as universidades, a greve é realidade nas três instituições.

Os/as docentes da Unesp estão parados/as em Bauru, Marília, Araraquara, Franca, Rio Claro, Rio Preto, Assis e Guaratinguetá. Têm assembleia agendada para o início da próxima semana, com o indicativo de greve na pauta, o Instituto de Artes de São Paulo e o campus de Botucatu. Em outros campi, como Jaboticabal, Prudente e Tupã, o movimento é de construção da mobilização.

Os/as estudantes estão parados/as em nove campi da Unesp (81 cursos de graduação), segundo informe do DCE Helenira Rezende. O Sintunesp informa que os/as servidores técnico-administrativos estão parados/as em Bauru, Franca, Marília, Guaratinguetá, Rio Preto, Jaboticabal e Botucatu, com paralisações pontuais em Araraquara e Ourinhos, e estado de greve em vários campi.

A greve também acontece entre os estudantes e docentes da Unicamp e USP e entre os técnico-administrativos a Unicamp.

 

E o que pedem os três segmentos?

  1. Querem que o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) reabra as negociações e dialogue efetivamente sobre o reajuste salarial, considerando insuficiente o índice de 3,47% oferecido e pleiteando o atendimento à contraproposta apresentada pelo Fórum das Seis: 4,39% (IPCA de 12 meses) + 3% de reposição de parte das perdas históricas, totalizando 7,52%.

  2. Querem a negociação efetiva das reivindicações estudantis (reajuste e ampliação das bolsas, tendo como horizonte o valor do salário-mínimo paulista; discussão sobre os conceitos de bolsa e auxílio; fim da exigência de contrapartida de trabalho, vigente na Unicamp; instituição de cotas trans e vestibular indígena) e também os demais itens do segmento constantes na Pauta Unificada, que inclui moradia, restaurantes, mobilidade e outros.

  3. Querem debater o restante da Pauta Unificada 2026, que aborda condições de trabalho e estudo, situação dos hospitais universitários, financiamento das universidades, entre outros.

  4. Querem financiamento adequado para as universidades estaduais paulistas, revertendo o quadro histórico de subfinanciamento, com a ampliação de recursos e garantia de novos parâmetros em meio à reforma tributária em curso.

As deliberações da Plenária da Adunesp em 28/5/2026

  1. Reafirma aos/às docentes da Unesp o indicativo de greve, com a manutenção onde está instalada e ampliação aos demais campi.

  2. Reafirma as pautas unificadas centrais do movimento: Reajuste salarial digno, políticas de permanência estudantil que garantam a manutenção dos filhos e das filhas da classe trabalhadora na universidade, garantia de financiamento adequado e defesa da autonomia universitária, da democracia interna e contra qualquer tipo de repressão.

  3. Em relação ao pedido enviado por e-mail aos docentes, de que informem se estão em greve, orienta a que não se manifestem. A declaração de greve foi dada coletivamente pelas respectivas assembleias locais.

  4. Nos campi em greve, orienta os comandos constituídos a solicitar à congregação local a suspensão do calendário letivo enquanto durar o movimento.

  5. Aprova a divulgação de Carta Aberta à Reitoria da Unesp, questionando o truculento pedido de reintegração de posse no IA e as inaceitáveis iniciativas repressivas e ameaças de algumas direções locais contra os três segmentos. (Em elaboração)

  6. Repudia com veemência os ataques de grupos de cunho racista, misógino, homofóbico e fascista em alguns campi da Unesp (recentemente, em Araraquara e Rio Preto), da Unicamp e da USP. (Sobre essa questão, leia manifesto dos três segmentos de Araraquara).

QUEREMOS AVANÇAR NA REPOSIÇÃO DE PERDAS SALARIAIS, PERMANÊNCIA ESTUDANTIL, CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO E ESTUDO, GARANTIA DE FINANCIAMENTO ADEQUADO PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA!

 

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Docentes do IA divulgam repúdio ao pedido de reintegração de posse

“As(os) docentes do Instituto de Artes da Unesp, reunidas(os) em assembleia na tarde do dia 28 de maio de 2026, repudiam veementemente e por unanimidade o pedido de reintegração de posse, em caráter liminar, submetido pela Reitoria da Unesp antes do esgotamento de todas as tratativas internas de negociação. Repudiam, igualmente, a possibilidade de ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo dentro do campus para o cumprimento da decisão, bem como a penalização e a criminalização de estudantes em razão do ato político de ocupação do prédio.”

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Carta aberta de Araraquara sobre invasões ao campus

“As três categorias mobilizadas da universidade, discentes, servidores técnico-administrativos e docentes, vêm a público se manifestar sobre os recentes episódios de invasões ocorridas dentro do campus.

Por duas vezes, um influenciador de redes sociais e pré-candidato a deputado invadiu nosso campus com o objetivo deliberado de criar tumultos e produzir “cortes” para redes sociais baseados em ataques aos estudantes, à estrutura universitária e, em última instância, à Unesp enquanto universidade pública. Esta não é uma atitude isolada, pois parte de um comportamento recorrente, associado à extrema direita em seu combate às instituições públicas e, principalmente, ao ensino superior.

Na primeira incursão desse indivíduo, estudantes foram fisicamente agredidos e verbalmente ofendidos, mas tiveram sucesso em repelir sua presença no campus, apesar da ausência de suporte adequado.

Na segunda incursão, um grupo grande de fascistas composto pelo influenciador, seguranças e cinegrafistas tentou, novamente, provocar o caos em meio à comunidade universitária, desta vez vindo preparado para atentar contra o patrimônio universitário através do apagamento das manifestações da nossa comunidade no “Vão de livre expressão”. Estudantes, servidores e professores agiram de forma responsável e prudente, evitando escaladas de violência e contendo o avanço do indivíduo pela unidade.

Em determinado momento, o procurador da Unesp se dirigiu ao invasor exigindo sua retirada do campus, mas sem sucesso. Posteriormente, a Polícia Militar e a Guarda Municipal chegaram para assumir o caso, e vimos um novo problema: a tentativa de “dialogar” com o invasor, o que o levou a ser recebido pela direção. Ao final, o invasor foi levado pela Polícia Militar até a Delegacia, recebendo cordiais tapinhas nos ombros dos policiais militares. No campus e na Delegacia o invasor produziu material audiovisual suficiente para a realização de edições que mostram a amabilidade da polícia e uma inversão da situação, dizendo que ele foi quem chamou a polícia para se “proteger dos manifestantes” e, mais uma vez, atacando nossa comunidade universitária (estudantes, servidores e docentes) que fazia a função de vigilância do campus.

Entendemos que a violência cometida contra a universidade e sua comunidade só pode ser enfrentada pelas vias jurídicas e institucionais cabíveis. Considerando a gravidade da situação e a necessidade de garantir a segurança da nossa comunidade universitária, apresentamos as seguintes reivindicações:

  • que a Unesp adote medidas cautelares ou dispositivos jurídicos equivalentes contra o invasor;
  • que a Unesp acione os mecanismos cabíveis para a remoção das imagens de estudantes, servidores e professores expostos que foram alvo de ofensa e difamação pelo invasor em suas redes sociais;
  • que o portão de acesso do Pueri Domus, que permanece aberto e sem vigilância, portaria ou qualquer tipo de monitoramento, seja imediatamente fechado;
  • que o Conselho Diretor elabore e divulgue protocolos de segurança para o campus de Araraquara que tenham por fundamento impedir a entrada de fascistas na universidade;
  • que a vigilância do campus seja mais efetiva e realizada por nossos próprios meios, sem nenhum tipo de policiamento (PM ou GCM) no campus. Nossos porteiros e vigilantes conhecem a movimentação normal do campus, então movimentações suspeitas devem ser comunicadas e averiguadas rapidamente pelos setores responsáveis;
  • que o Conselho Diretor manifeste publicamente repúdio ao posicionamento do prefeito de Araraquara, Luis Lapena, que compartilhou os vídeos do invasor, legitimando ataques às instituições públicas;
  • que o Conselho Diretor articule com a Prefeitura e Instituições Legais, protocolos de segurança, instruções e procedimentos para a remoção rápida de invasores em eventuais novos episódios de invasão, visando garantir a integridade da comunidade universitária. Sendo a entrada da Polícia Militar e GCM no campus utilizada apenas em caso de extrema necessidade.

Mobilização Unificada dos Discentes, Servidores Técnico-Administrativos e Docentes do Campus Araraquara”