Adunesp 50 anos: Celebração da história e mesa sobre conjuntura nacional foram eixos em atividades com entidades parceiras

Adunesp 50 anos: Celebração da história e mesa sobre conjuntura nacional foram eixos em atividades com entidades parceiras

Revista e documentário apresentaram um resgate das cinco décadas de lutas e conquistas da entidade representativa dos docentes da Unesp 


Representantes de entidades parceiras do Fórum das Seis, do Andes e da Conlutas, entre outra, estiveram presentes nas atividades comemorativas do cinquentenário da Associação dos Docentes da Unesp, a Adunesp, em 19/10, em São Paulo. Eles acompanharam o lançamento da Revista Adunesp 50 anos e do documentário ‘Adunesp 50 anos: meio século de defesa dos direitos da categoria docente e da universidade pública’.

Os materiais mostram como a entidade surgiu, em 1976, poucos meses após a criação da Universidade, retratando desde as primeiras lutas para defender a comunidade dos 14 institutos isolados que se unificaram, passando pelas dificuldades estruturais dos primeiros tempos, a greve que conquistou a autonomia, a batalha pela expansão com garantia de recursos e as muitas greves e manifestações destas cinco décadas. Também falam das bandeiras pela democratização das instâncias de poder da Universidade, das expectativas e sonhos das novas gerações de docentes. Vale conferir e se apropriar da história da sua categoria.           

Entidades parceiras

A mesa comemorativa dos 50 anos da Adunesp teve as presenças de Alberto de Souza (Sintunesp), Guilherme Augusto da Silva (DCE da Unesp), Márcio Moretto (Adusp), Elisiene Lobo (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp), Regina Célia da Silva (ADunicamp), Fernando Salvador (Sinteps), Marcos Rabelo (CSP-Conlutas) e Marcos de Oliveira Soares (Andes-SN).

Além de saudarem a Adunesp e exaltarem as lutas em comum, as falas foram marcadas pela conjuntura política atual, expressando o desejo de que o país derrote o projeto político da extrema direita, que ataca os direitos sociais, os serviços públicos e a democracia.

“Das intervenções dos nossos companheiros e companheiras de tantas batalhas, presentes nesta mesa, a conclusão que tiro é que estamos diante de uma tarefa classista, de construir pautas, consensos programáticos e unidade para lutar”, disse o presidente da Adunesp, Antônio Luís de Andrade, o Tato.

Ele pontuou a importância de seguirmos lutando por melhores salários e condições de trabalho e em defesa da autonomia e do financiamento das nossas universidades, ameaçados em meio às mudanças que chegam com a implantação da reforma tributária, de apoiarmos os servidores técnico-administrativos em suas lutas, bem como os estudantes, na defesa da ampliação e de melhorias na permanência estudantil, “dando a nossa contribuição para a superação das contradições que a realidade sociopolítica, cultural e científica nos coloca dentro e fora da Unesp”.

 

Debate sobre conjuntura foi marcado pelo momento eleitoral

As comemorações dos 50 anos da Adunesp, em 19/10, foram encerradas com um debate sobre a conjuntura política nacional, que contou com as presenças de Osvaldo Coggiola (professor da Universidade de São Paulo - USP), Glauber Braga (deputado federal pelo PSOL) e Gilberto Marques (professor da Universidade Federal do Pará – UFPA). A apresentação e a mediação foram de Angélica Lovatto (Adunesp).

“Nosso objetivo com essa mesa, que reúne atuações acadêmica, social e parlamentar, é debater a conjuntura nacional, que neste momento se cruza fortemente com a internacional, ambas atravessadas pelo avanço da extrema direita”, destacou Angélica. “As eleições de 2026 colocam um problema que não termina na escolha de uma candidatura, sabemos disso. Mas, escolher uma candidatura é a condição para termos um terreno mínimo para continuar essa luta”, frisou.

“Minha fala está comprometida”, iniciou Braga. “A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, a necessidade urgente é derrotar o projeto da extrema direita, configurado na candidatura de Flávio Bolsonaro, que apresenta como modelo a Argentina, país em que a carga horária de trabalho pode chegar a até 15 horas”, exemplificou.

Para Coggiola, as eleições expressam os interesses de quem trabalha e sustenta o país com sua força produtiva, de um lado, contra os parasitas que se apropriam dessa riqueza. Ele manifestou grande preocupação com o fato de que o Brasil passe a integrar o chamado “Escudo das Américas” se Flávio Bolsonaro for eleito, em referência à coalizão de países liderada pelo governo Trump, o mesmo que impôs os tarifaços ao nosso país. A intenção é permitir que, sob alegações de combate ao crime organizado, o exército de qualquer país da coalizão possa invadir o outro a pretexto de combater os ‘narcoterroristas’. “Não se trata de um acordo policial, mas sim político-militar”, enfatizou Coggiola. “Ora, alguém acha que a Bolívia iria invadir os Estados Unidos com essa alegação? É evidente que o acordo estabelece o direito, pela primeira vez declarado, de que os Estados Unidos podem atacar militarmente qualquer país americano em virtude desse acordo.”

Sinalizando a necessidade de fazer avançar a intensa mobilização registrada às vésperas do segundo turno, com centenas de milhares de pessoas saindo às ruas em todo o país, notadamente a juventude, Marques foi na mesma linha dos outros debatedores e apontou: “Temos que transformar os comitês pró-Lula em comitês de luta e de organização, independente do governo que virá.” 

Quer ouvir a íntegra do debate? Acesse o Youtube da Adunesp em https://youtu.be/Arf1O2UqaV8 

Quer ver mais fotos das atividades? Clique aqui