Em vez de negociação e diálogo, reitores se apoiam na intransigência e na repressão ao movimento

Em vez de negociação e diálogo, reitores se apoiam na intransigência e na repressão ao movimento

Fórum indica manutenção e ampliação da GREVE pela imediata REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES.  Dia de atividades locais em 9/6 e preparação de novo ato estadual também são indicativos 

O pedido de reintegração de posse contra a ocupação estudantil no Instituto de Artes (IA) da Unesp, na capital, e o pronto atendimento pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), na tarde de 28/5, foi mais um grave elemento a mostrar a estratégia escolhida pelos reitores para lidar com as justas reivindicações da comunidade: intolerância, intransigência, repressão!

Os fatos no IA não culminaram em algo mais grave porque os estudantes decidiram deixar o local antes que a polícia interviesse. Na USP, a chegada dos policiais durante a madrugada de 10/5 pegou o movimento de surpresa e resultou em agressões, estudantes feridos e alguns detidos. Há denúncias de que, em vários campi da Unesp, sucedem-se práticas intimidatórias.

Reunidas em 29/5, com o objetivo de avaliar o movimento e indicar os próximos passos, as entidades sindicais e estudantis que compõem o Fórum das Seis manifestaram grande indignação e repúdio às iniciativas das instituições, que substituem o necessário diálogo pela intimidação e pela truculência policial.

O relato dos presentes mostrou que a greve se mantém nas estaduais paulistas, entre os três segmentos, e que a intransigência das reitorias, ao não reabrir as negociações e apelar para medidas repressivas, não é caminho aceitável para a superação dos impasses. Também foram dados mais detalhes sobre as sessões dos conselhos universitários da Unicamp e da USP, ocorridas em 26/5, que tinham na pauta o referendo ao índice salarial de 3,47% oferecido pelo Cruesp e rejeitado pelas categorias..

Na Unicamp, a proposta apresentada pela bancada dos servidores técnico-administrativos e defendida por representantes dos três segmentos, de retirada do reajuste da pauta, foi aprovada com 40 votos a favor, 24 contrários e 2 abstenções. Uma votação histórica.

Na USP, após insistência dos representantes discentes para que as reivindicações estudantis fossem incluídas na pauta – absurdamente, após quase 50 dias de greve do segmento, não havia nada previsto, especialmente a questão do reajuste dos auxílios – o reitor Aluísio Segurado simplesmente suspendeu a sessão e foi embora.

A submissão do reajuste salarial aos conselhos máximos das universidades – que só não ocorre na Unesp – é uma tentativa de enfraquecer a mesa de negociação entre Fórum das Seis e Cruesp e dar o assunto como encerrado.

Mas nada está encerrado!

Como assinala o novo ofício que está sendo enviado ao Cruesp – uma das deliberações da reunião do Fórum em 29/5 – “não se trata de mero impasse administrativo”. O que está em questão, diz o documento, “é a própria preservação de um patrimônio político, institucional e democrático que permitiu às universidades estaduais paulistas atravessar períodos de crise sem romper com princípios fundamentais de participação, negociação coletiva e construção institucional compartilhada”. O ofício reitera a reivindicação de urgente reabertura das negociações.

A greve

Ferramenta de luta indicada pelo Fórum das Seis, tendo como pautas centrais as reivindicações salariais, as demandas da permanência estudantil e a garantia e ampliação do financiamento para as universidades, a greve é realidade nas três instituições. A intransigência das reitorias, ao não reabrir as negociações e apelar para medidas repressivas, caminha na contramão da solução dos impasses.

Na Unesp, o movimento é crescente entre docentes (9 campi parados no fechamento deste boletim, em 1/6), técnico-administrativos da Unesp (7 campi em greve) e estudantes (81 cursos de graduação, segundo o DCE Elenira Rezende). A greve também é realidade entre os estudantes e docentes da Unicamp e USP e entre os técnico-administrativos a Unicamp.

Os indicativos do Fórum das Seis: Manutenção da greve, apoio ao movimento estudantil, novo ato estadual

1) Manutenção e ampliação da greve nas universidades estaduais paulistas;

2) Repúdio às medidas repressivas contra o movimento;

3) Novo ofício ao Cruesp cobrando a imediata reabertura das negociações em torno ao reajuste salarial, pautas estudantis e financiamento;

4) Ofício ao reitor da USP solicitando audiência com o Fórum das Seis, para tratar do movimento dos estudantes da USP;

5) Construção de movimento “Universidade sob ataque”, com dia unificado de atividades locais/de rua (em 9/6) e preparação de novo ato estadual em SP, em defesa das reivindicações do movimento e de financiamento adequado para Unesp, Unicamp e USP. No dia 8/6, o Fórum participará de uma reunião para preparar o novo ato.

6) Criação de ‘comitê de notáveis’ (intelectuais, parlamentares, representantes de centrais sindicais, movimentos sociais, Fórum das Seis e outros), para intervir em prol dos estudantes e para que haja negociações na USP. Se necessário, deverá atuar na Unicamp e na Unesp.

7) Carta aberta à população, em defesa das universidades.

O que a comunidade quer negociar com o Cruesp

- A contraproposta salarial apresentada pelo Fórum das Seis: 4,39% (inflação medida pelo IPCA/IBGE de 12 meses) + 3% (como primeiro passo para uma política de reposição de parte das perdas para voltarmos ao poder aquisitivo de maio/2012), totalizando 7,52%.

- A permanência estudantil: Inicialmente, os 4 pontos centrais apresentados pelo Fórum (reajuste e ampliação das bolsas, tendo como horizonte o valor do salário-mínimo paulista; discussão sobre os conceitos de bolsa e auxílio; fim da exigência de contrapartida de trabalho, vigente na Unicamp; instituição de cotas trans e vestibular indígena) e também o restante de itens da Pauta Unificada, que inclui moradia, restaurantes, mobilidade e outros.

- O restante da Pauta Unificada 2026, que aborda condições de trabalho e estudo, situação dos hospitais universitários, financiamento das universidades, entre outros.

Clique para conferir esta e outras notícias no Boletim do Fórum, de 1/6/2026