Indicativo é que Plenária e assembleias de base mantenham-se ‘permanentes’, com o objetivo de prosseguir a mobilização para acompanhamento constante dos compromissos assumidos pela reitoria com os três segmentos no contexto da greve e construir a pauta específica da categoria
Em nova sessão da Plenária Estadual, realizada em formato online na manhã de 29/6/2026, representantes de oito campi avaliaram o movimento e aprovaram indicativos para o próximo período. Os informes eram de que, dos 10 campi nos quais houve adesão à greve, o movimento havia sido suspenso em nove deles (Rio Claro, Guará, Araraquara, IA, Bauru, Botucatu, Marília, Franca e Assis); destes, declararam-se em assembleia permanente: Guará, Araraquara, Bauru, Botucatu, Marília, Franca e Assis. Permanece em greve e com assembleia marcada 1/7, o campus de Rio Preto.
Na base do Sintunesp, a greve também prossegue no campus de Rio Preto, com assembleia conjunta agendada com os docentes para 1/7. Entre os estudantes, após assinatura de acordo entre DCE e Reitoria, a previsão é que as assembleias que se realizarão neste início de semana discutam o retorno. Na Unicamp, prossegue a greve dos servidores técnico-administrativos.
Dados os informes de cada local e feitas as avaliações, os presentes aprovaram, por unanimidade, manter a Plenária Estadual da Adunesp em reunião permanente, bem como os seguintes encaminhamentos e indicativos às bases:
- Manter as assembleias de base como permanentes, até que o indicativo seja alterado em futura plenária. O objetivo é facilitar a convocação de novas sessões – da Plenária e das assembleias locais – para acompanhamento das condições em torno ao encerramento da greve e discussão dos próximos passos.
- Enviar à reitoria um ofício conjunto com o Sintunesp, solicitando agendamento urgente de reunião com as entidades. O objetivo é discutir o cenário de encerramento da greve de servidores docentes e técnico-administrativos, estabelecendo termos para um acordo final entre as partes, que garantam condições adequadas para o retorno ao trabalho e tranquilidade à comunidade acadêmica. Trata-se de termos que, sendo comuns a ambas as categorias (como a garantia de não punição/perseguição, reorganização dos calendários acadêmicos para que não haja prejuízo a nenhum segmento, entre outros), podem ser definidos conjuntamente, sem prejuízo de itens específicos de cada segmento (no caso da Adunesp, por exemplo, a situação dos docentes substitutos com contratos de cinco meses).
- Apoio aos segmentos estudantil e técnico-administrativo em suas demandas.
- Indicar às subseções e representações de base a realização de uma rodada de assembleias, até 8/7/2026, para apresentar sugestões à construção da Pauta Específica deste ano dos docentes da Unesp. Alguns pontos já foram sugeridos na Plenária de 29/6, como subsídio às assembleias, mas outros podem e devem ser listados. São eles:
- Revogação da Portaria Runesp 52/2026 (veja detalhes mais abaixo);
- Homologação dos concursos tão logo a lei eleitoral permita (mais detalhes abaixo);
- Solicitação de correção do vale alimentação pela inflação (conforme acordado durante a gestão Pasqual);
- Criação do vale refeição (isonomia com as coirmãs);
- Incorporação dos dias congelados durante a pandemia também para os aposentados que fizerem jus ao direito (até o momento, a devolução dos dias foi feita somente ao pessoal da ativa);
- Pagamento dos retroativos do ‘descongela’ para todos os que fizerem jus, da ativa ou aposentados;
- Outros pontos que podem ser discutidos nas assembleias: plano de saúde, carreira etc.
- Nova sessão da Plenária da Adunesp em 13/7/2026, segunda-feira, 14h, em formato online, para tabular os resultados das assembleias de base e fechar a Pauta Específica 2026.
Homologação dos concursos
A suspensão das homologações dos concursos de docentes, pesquisadores e técnico-administrativos, estabelecida pelo Comunicado Runesp de 29/5/2026, é motivo de grande preocupação na categoria, tendo em vista a forte necessidade de pessoal docente e técnico-administrativo.
As homologações que estão sendo suspensas dizem respeito a anos anteriores (2024 e 2025) e não a 2026. A reivindicação é que a medida seja revogada e que as contratações sejam feitas tão logo as restrições da lei eleitoral terminem, ainda neste ano.
‘Gabinete de crise’
As respostas da Reitoria aos questionamentos da Adunesp sobre a Portaria Runesp nº 52, de 26/5/2026, o chamado “gabinete de crise”, não foram suficientes para dirimir as dúvidas da categoria com o documento. Na reunião com a Adunesp em 18/6, a reitora e o vice-reitor, professores Maysa Furlan e Cesar Martins, afirmaram que a iniciativa não tem nada a ver com a greve e sim com medidas de combate ao assédio.
Mas os termos da portaria seguem suscitando preocupação, porque há o receio de que possam abrir espaço para, futuramente, cercear o direito de greve, por exemplo. Na Plenária de 29/6, foi debatido um parecer da AJ da Adunesp sobre o documento, que avalia, em resumo: a portaria não deixa claro o que seria “crise” e aparenta haver mais preocupação com a imagem da Unesp e menos com o seu enfrentamento. Essa indefinição faz com que a portaria paire como uma espada sobre a organização e a manifestação dos três segmentos.
Diante dessa avaliação, a reivindicação da Plenária é que a Portaria Runesp nº 52 seja revogada e, sem seu lugar, editado novo documento específico e claro para os objetivos citados pela reitoria.
Luta pelo financiamento
A Plenária de 29/6/2026 também discutiu a necessidade de prosseguir na mobilização em torno, especialmente, do financiamento das estaduais paulistas, considerado questão vital no próximo período. Neste sentido, indica às subseções e representações de base da Adunesp a organização de atividades, locais e estaduais, para evidenciar a importância das universidades junto à sociedade e aprofundar a discussão sobre o financiamento das instituições a partir da reforma tributária, bem como das formas de luta pela sua ampliação. Exemplos: debates, presença em eventos onde esteja o governador Tarcísio de Freitas, idas às câmaras municipais e escritórios regionais de parlamentares para coletar moções de apoio à garantia de financiamento adequado para as universidades. O ano eleitoral é um momento oportuno para estas ações.



