Violência contra a mulher, machismo e misoginia:

Violência contra a mulher, machismo e misoginia: Denúncias de assédio em São José dos Campos trazem à tona a ponta do iceberg

Nota deliberada pela Plenária Estadual da Adunesp em 8/5/2026

Quando divulgou um informativo especial sobre assédio, publicado em 16/4/2026, intitulado ‘Assédio moral, assédio sexual: Algumas reflexões e indicações sobre a necessidade de preservar direitos e garantir o bem-estar das vítimas na Unesp’, a Adunesp já assinalava que as mulheres são, de longe, as mais atingidas por este tipo de prática. Nos colegiados centrais, em especial no Conselho Universitário, a entidade vem insistentemente denunciando a situação.

Os fatos que abalam o campus da Unesp em São José dos Campos neste momento são novos elementos a corroborar essa constatação. A ponta do iceberg emerge. O estopim é a denúncia feita por uma ex-estudante do curso de Odontologia, de que teria sido estuprada por um docente em 2023, quando iniciava a graduação. Em vídeo, ela relata que os profundos impactos emocionais sofridos, que a perseguem até hoje, impediram que se manifestasse à época, como acontece em muitos casos similares em que as vítimas desse tipo de violência se sentem paralisadas pelo horror vivido e pelas possíveis injunções de todas as ordens decorrentes da publicização dos fatos.

À denúncia da jovem, seguiram-se várias outras, antigas e recentes. Informações divulgadas na imprensa destacam que a Unesp afastou dois docentes a partir de 30/4 e abriu processos de apuração preliminar para investigar os casos registrados. São providências tardias, que soam como uma resposta sob a pressão das repercussões muito mais do que um procedimento adequado diante da denúncia da vítima, que já havia sido feita à instituição anteriormente.

Em passeata pela cidade e em assembleia geral, respectivamente em 4 e 5/5, cerca de 200 estudantes, trajados de luto, estamparam cartazes para denunciar a violência sexual e exigir a apuração rigorosa das acusações. Entre as palavras de ordem: “Estuprador não pode ser professor”, “Assédio aqui não!”, “A universidade é pública, nosso corpo não!”, “Assédio sexual é crime!”. Após a assembleia, foi aprovado um documento com reivindicações, que as entidades estudantis encaminharam à direção local, com pedido de reunião urgente.

As denúncias são gravíssimas! O estupro e todas as formas de assédio moral e sexual são crimes.

As vítimas de qualquer tipo de assédio, principalmente de assédio sexual, precisam de proteção, apoio, acolhimento e, sobretudo, de ações que garantam a descontinuidade da ação delitiva que a elas causa intenso sofrimento, podendo levá-las à depressão e até à interrupção da vida/suicídio. Os acusados de assédio devem submeter-se a um processo justo, livre de quaisquer injunções, que lhes garanta o direito à ampla defesa e ao contraditório. E, se, ao fim e ao cabo desse processo, forem julgados culpados, que sofram penas destinadas a resgatar minimamente a dignidade e a segurança das vítimas, protegê-las e impedir os/as perpetradores/as de reincidirem nessas práticas, além de reparar, o quanto possível, os danos a elas produzidos. Com isso, a instituição estará sinalizando a adoção de um referencial humanizado, sintonizado com os melhores valores civilizatórios, comprometidos com a justiça e a reparação do sofrimento causado aos/às seus/suas estudantes e trabalhadores/as por quem quer que seja.

Uma das dimensões que justificam a existência da universidade pública é a produção de pensamento crítico e a adoção de padrões éticos compatíveis com um processo civilizatório humanizado.

 

ESTUPRADOR NÃO PODE SER PROFESSOR

ASSÉDIO AQUI NÃO!

A UNIVERSIDADE É PÚBLICA, NOSSO CORPO NÃO!

ASSÉDIO SEXUAL É CRIME!